As guerras
Há um sistema internacional
onde a hipocrisia é a moeda corrente e onde o sofrimento civil é uma
característica e não é um erro ou falha das estratégias de poder.
O sistema é planificado para
que isso ocorra.
Vejamos;
A Economia Política da Guerra
Permanente
As "ações
armamentistas" é a chave principal. Não se trata apenas de
"defesa". Para os EUA, a indústria bélica é um dos pilares do seu
poder econômico e hegemônico. O Complexo Industrial-Militar, sobre o qual
Eisenhower alertou, precisa de guerras ou ameaças constantes para justificar orçamentos
de trilhões de dólares.
· Os EUA: A guerra não é um
desvio da política; para certos setores, é o negócio. Vender armas para Israel,
para a Arábia Saudita, para qualquer aliado, e usar o próprio poderio militar
para garantir o fluxo de petróleo (antes) e a supremacia do dólar (hoje) é a
base do seu poder global.
· Israel: Sua segurança é, em
grande parte, financiada por esse sistema. Os $3.8 bilhões anuais em ajuda
militar dos EUA não são caridade; são um investimento em um aliado estratégico
que desestabiliza e controla a região em favor dos interesses ocidentais,
servindo como um posto avançado contra qualquer potência local que tente se
afirmar (seja o Irã, antes o Iraque ou o Egito de Nasser).
· O Irã: Encurralado por
sanções e cercado por bases militares inimigas, o regime também se militariza.
O Guarda Revolucionária (IRGC) não é apenas um exército; é o coração da
economia e da política iraniana. Sua sobrevivência depende da narrativa da
ameaça externa (Israel/EUA) para justificar a repressão interna e o controle da
sociedade.
Nesse jogo, todos os atores
(EUA, Israel, Irã) lucram, de certa forma, com a perpetuação do conflito.
Quem paga o pato?
A população civil de todos os
lados, mas especialmente os palestinos, que estão na linha de frente desse
embate de gigantes, e o povo iraniano, sufocado por sanções que são uma arma de
guerra.
A Inversão de Papéis e a "Razão de
Estado"
Veja que há semelhança entre a
teocracia iraniana e as estratégias de Trump. A semelhança reside no que
poderíamos chamar de "populismo autoritário" ou "nacionalismo
de exclusão".
· Trump e a Direita
Cristã/EUA: Usam uma retórica de "nós contra eles", de nação
eleita, contra inimigos internos (imigrantes, minorias) e externos (o
"Eixo do Mal"). O estado é usado para beneficiar uma base
política e econômica, enquanto as instituições democráticas são vistas como
obstáculos.
Na verdade, quem é “O Eixo do Mal” ¿
· Líderes do Irã: Usam
uma retórica de "nós contra eles" (xiitas contra o mundo ocidental e
o sunismo wahabita- é uma vertente ultraortodoxa e puritana do Islã
sunita que surgiu no século XVIII na península arábica), de nação eleita (a
Revolução Islâmica), contra inimigos internos (manifestantes, mulheres, curdos)
e externos (o "Grande Satã" EUA e o "Pequeno Satã" Israel).
O estado é usado para beneficiar o clero e a Guarda Revolucionária, enquanto
qualquer dissidência é esmagada.
Ambos os lados usam o
sofrimento do outro para justificar suas próprias políticas apoiados nas
crenças religiosas de seus povos. O antissemitismo real no mundo muçulmano é
alimentado pelas ações de Israel. A islamofobia no Ocidente é alimentada pela
retórica e ações de regimes como o Irã. É um ciclo vicioso de desumanização que
beneficia as elites no poder.
A Questão Nuclear: Dissuasão ou Dominação?
Os armamentos atômicos é o
ponto mais perigoso e o povo que n~qo tem “Armas” será refém destes ditadores.
· Israel: Tem a bomba e a
doutrina "Samson Option" (Opção Sansão). Se o Estado de Israel
estiver à beira da destruição, usará seu arsenal nuclear como um Sansão
bíblico, derrubando o templo sobre si e sobre seus inimigos. Isso não é defesa;
é a garantia de um apocalipse regional. A posse desse poder por um único país
na região é inerentemente desestabilizadora. E mais uma vez sob a permissão da
fé, fé que justifica a sua própria extinção.
· Irã: Busca a capacidade
nuclear (breakout capacity- (capacidade de ruptura) é um conceito central no
controle de armas nucleares, referindo-se ao tempo e à capacidade técnica que
um país não nuclear necessita para produzir material físsil suficiente para uma
única bomba) como o único seguro de vida contra um ataque dos EUA ou de
Israel.
Eles viram a Líbia desistir de
seu programa e ser destruída, e a Coreia do Norte mantê-lo e sobreviver. A
lógica é perversa, mas racional. Um Irã nuclear, no entanto, poderia
desencadear uma corrida armamentista sunita (Arábia Saudita, Turquia, Egito), tornando
a região um barril de pólvora nuclear.
Não há "mocinhos"
nessa história. Há potências com interesses brutais, dispostas a sacrificar
populações inteiras para manter ou aumentar seu poder.
O Sofrimento Civil como Tática
de Guerra
O genocídio como estratégia
política, precisamos olhar para Gaza.
O que se viu em 2023-2024 foi
uma campanha militar israelense que, usando munições de precisão, destruiu
sistematicamente a infraestrutura civil de Gaza: hospitais, universidades,
prédios residenciais, sistemas de água.
O número de mortos ultrapassou dezenas de milhares, com uma proporção enorme de mulheres e crianças.
· A Corte Internacional de
Justiça (CIJ) considerou plausível que atos de genocídio estejam sendo
cometidos.
· O Procurador do Tribunal
Penal Internacional (TPI) pediu mandados de prisão contra líderes do Hamas e de
Israel (Netanyahu e Gallant) por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
Independentemente da definição
legal exata, o que se vê é uma política de destruição da capacidade de viver de
um povo. Isso não é um "dano colateral" de uma guerra contra o Hamas.
É uma estratégia de tornar Gaza inabitável.
Para muitos analistas, isso se
enquadra na definição de "politicídio" ou mesmo de práticas
que, se não forem genocídio em intenção, o são em resultado.
Sobrevivemos em Um Mundo de
Hipocrisia e Poder.
Estamos vivendo um momento
onde as potências ocidentais (lideradas pelos EUA) e seus aliados (Israel)
estão abandonando qualquer pretensão de um direito internacional baseado em
regras, e partindo para uma política de força bruta.
O cidadão comum, seja em Gaza,
em Teerã, em Kiev ou em Washington, fica refém dessas estruturas de poder. A
crítica, portanto, não pode ser sectária. Deve apontar a hipocrisia de todos os
lados, denunciar o sofrimento onde quer que ele ocorra, e reconhecer que a luta
por justiça é global, ou entraremos em auto destruição através das guerras.
É planetário a necessidade que
a humanidade repense os seus modos de produção e de concentração ou a barbárie
vencerá.
Itamar Santos.


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