
No dia 2 de fevereiro de 1999, no final do século XX, na Venezuela iniciava-se uma verdadeira revolução popular que até o momento dá indícios de se constituir em uma revolução socialista.
No rastro da Venezuela vieram os bons ventos transformadores no Equador, na Bolívia e mais recentemente no Paraguai.
Em todos estes países há algo em comum onde a participação popular ativa faz a grande diferença através da criação de comitês locais de discussão, eleições livres, plebiscitos e referendos para solidificar a vontade popular.
Nestes dez anos de transformação venezuelana vê-se que a reforma agrária teve avanços consideráveis; houve a nacionalização de empresas até então dominadas pelo capital estrangeiro que sugavam as riquezas do país (estatizou o petróleo) que faz parte de seu projeto econômico e social onde a educação tem papel importante alfabetizando toda a população e introduzindo o ensino universitário em todo o país que logo contara com, no mínimo, uma universidade em cada cidade.
Ainda na área social, a saúde pública venezuelana já da conta de atender gratuitamente 90% da população com atendimento de qualidade na casa do usuário e em cada bairro há uma clinica ou o que aqui chamamos de Posto de Saúde.
O setor mais atrasado é o da habitação, mas não deixa de ter avanços significativos durante este período, se comparado como era antes da chamada Revolução Bolivariana.
Isso tudo só é possível porque há um grande investimento no desenvolvimento da capacidade da população de compreender e participar da política do país para se contrapor a uma grande oposição que ainda tem recursos financeiros e muito apoio de setores da intelectualidade local e internacional.
Um dos vários problemas enfrentados pelos lideres latino americanos é a falta de lideranças que dêem continuidade a este processo revolucionário. Uma comparação de quanto é difícil ter-se lideranças comprometidas com um projeto de tamanha envergadura é quando observamos a classe dominante que há séculos nos explora no poder, mas tem perdido espaço, pois lhes faltam lideranças fortes para manter sua dominação.
Essa tarefa de formar nossas próprias lideranças está entre as principais para que se consolide um sistema de governo que seja uma alternativa ao capitalismo. Por isso é fundamental a solidariedade entre os povos oprimidos da America Latina a fim de construir uma rede de escolas e faculdades para formar lideranças capacitadas para executar o projeto popular e revolucionário que se mostra no continente.
Outra questão em que o Presidente Hugo Chaves enfrenta dificuldades é na implementação da democracia participativa ou comunitária onde as pessoas tenham um poder maior, mas como os políticos locais não se sentem atraídos por essa opção há ainda resistência até em setores que se reivindicam de esquerda.
A transformação ora em curso em nosso continente está em franca ascensão devida à acertada centralização do planejamento do Estado como vistas as suas riquezas naturais. É através desta riqueza que é possível fazer grandes investimentos ligados a um projeto social e político que permita a esse continente se organizar sob uma visão socialista transformadora.
Essa transformação é possível desde que conste no planejamento político/econômico dos governos populares a participação dos trabalhadores na direção das empresas, e nas decisões de governo, bem como no processo de formação de quadros e de educação política que garantam a participação direta na gestão do partido ou dos partidos que estão imbuídos desse processo.
MSN: itamarssantos13@hotmail.com
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