A grande mídia silencia perante os avanços da Mulher na
sociedade brasileira e na produção científica que produz
vida de
forma gratuita.
O silenciamento da grande
mídia sobre as contribuições científicas das mulheres no Brasil contrasta
fortemente com a realidade de um campo em que a presença feminina é majoritária
na pós-graduação e produz ciência de altíssimo nível, frequentemente com recursos
escassos e grande impacto social.
Mulheres cientistas
brasileiras marcaram a história com contribuições fundamentais e continuam a
liderar pesquisas inovadoras em diversas áreas. Nomes como Bertha Lutz, Elisa
Frota Pessoa e Nise da Silveira abriram caminhos, enquanto pesquisadoras contemporâneas
como Jaqueline Góes de Jesus (sequenciamento da COVID-19) e Alicia Kowaltowski
(bioquímica) têm destaque internacional. Embora a representação feminina na
pós-graduação chegue a 54%, elas ainda enfrentam desafios de equidade nas
posições de liderança.
Principais Cientistas
Brasileiras (Históricas e Atuais):
Bertha Lutz (1894-1976):
Bióloga, zoóloga e líder feminista, fundamental no estudo de anfíbios.
Elisa Frota Pessoa
(1921-2018): Pioneira da física no Brasil, fundadora do Centro Brasileiro de
Pesquisas Físicas (CBPF).
Nise da Silveira (1905-1999):
Psiquiatra renomada que revolucionou o tratamento de saúde mental.
Graziela Maciel Barroso
(1912-2003): Botânica, conhecida como a "primeira-dama da botânica no
Brasil".
Enedina Alves Marques
(1913-1981): Pioneira na engenharia, primeira mulher negra a se formar
engenheira no Brasil.
Jaqueline Góes de Jesus:
Biomédica, liderou o sequenciamento do genoma do vírus SARS-CoV-2 no Brasil.
Alicia Kowaltowski: Bioquímica
de renome, premiada internacionalmente por pesquisas sobre mitocôndrias.
Nicole Oliveira: Reconhecida
pela NASA como uma das astrônomas mais jovens do mundo, com descobertas de
asteroides aos 12 anos.
Cenário Atual e Desafios:
Avanços: A presença feminina é
forte, com 58% de mulheres bolsistas na CAPES e 54% das alunas de
mestrado/doutorado sendo mulheres.
Barreiras: Mulheres ainda são
minoria (cerca de 43%) entre professores de pós-graduação, evidenciando o
"teto de vidro" na progressão de carreira.
Destaque recente: O Prêmio
Carolina Martuscelli Bori, criado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da
Ciência (SBPC), celebra pesquisadoras de destaque, como Nísia Trindade
(ex-ministra da Saúde).
A partir de políticas
públicas promovidas pelo governo
federal de Lula presidente.
O reconhecimento público e a
visibilidade são tão cruciais quanto o financiamento. Por isso, é fundamental
analisar como as políticas públicas federais, especialmente no atual governo,
atuam para romper tanto o "teto de vidro" da carreira científica
quanto o cerco do silêncio midiático.
O Papel das Políticas Públicas do Governo Federal no Fomento e
Visibilidade
O governo do presidente Lula,
através do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Ministério
da Saúde (MS) e de agências como o CNPq e a CAPES, tem implementado ações que
visam não apenas corrigir desigualdades históricas, mas também dar protagonismo
e visibilidade à produção científica feminina. A ciência brasileira é feita
majoritariamente em universidades públicas, e o fortalecimento dessas
instituições é a base de tudo.
Algumas iniciativas concretas que dialogam com a realidade:
1. Ações Afirmativas e Combate
à Assimetria de Gênero
As políticas públicas recentes
reconhecem que, embora as mulheres sejam a maioria na pós-graduação (54%), elas
perdem espaço na progressão de carreira. Para enfrentar isso:
· Editais com Recorte de
Gênero: O CNPq e o MCTI têm lançado chamadas públicas específicas para meninas
e mulheres nas ciências exatas, engenharias e computação, áreas onde a presença
feminina é historicamente menor. O objetivo é fomentar a pesquisa e criar redes
de apoio, inspirando novas gerações, como a jovem astrônoma Nicole Oliveira.
· Bolsa-Produtividade e
Parentalidade: Uma barreira crítica para cientistas mulheres é a maternidade. O
CNPq implementou mudanças cruciais nas regras das bolsas de produtividade,
considerando o período de licença-maternidade na avaliação do currículo. Antes,
os meses dedicados aos cuidados primários eram um "buraco" na
produção científica, penalizando as mães. Essa política visa equalizar as
oportunidades de progressão, atacando diretamente o "teto de vidro"
mencionado.
2. Reconhecimento e Premiação
(Dando Visibilidade)
Para combater o silêncio, é
preciso dar palco. O governo federal tem atuado em parceria com entidades
científicas para dar luz a essas trajetórias:
· Prêmio "Carolina
Martuscelli Bori" & "Nísia Trindade Lima": O prêmio da SBPC,
que é um marco. É importante notar que a própria SBPC, maior sociedade
científica do país, é presidida por uma mulher, a física Fernanda Sobral, e tem
em sua liderança figuras que ocuparam e ocupam altos cargos públicos. A
ex-ministra da Saúde e atual presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima (uma
cientista social de carreira), é um símbolo máximo desse protagonismo. Sua
trajetória à frente da Fiocruz e do Ministério da Saúde durante a reconstrução
do país e o pós-pandemia é um exemplo de como a ciência feita por mulheres
ocupa centros de poder e decisão.
· Protagonismo em Crises
Nacionais: A cientista Jaqueline Góes de Jesus tornou-se um rosto público
durante a pandemia justamente porque sua liderança no sequenciamento do vírus
foi amplificada pelas ações de comunicação da ciência pública. Embora a grande
mídia ainda seja falha, canais oficiais do governo e de instituições como a
Fiocruz e o Butantan (liderado por Esper Kallás, mas com inúmeras pesquisadoras
nos cargos de chefia) fizeram um esforço para mostrar quem estava na linha de
frente.
3. Fortalecimento da Ciência
Pública e Gratuita
A produção de conhecimento que
"produz vida de forma gratuita" é a espinha dorsal do SUS (Sistema
Único de Saúde) e das universidades públicas.
· Recomposição do Orçamento:
Após anos de cortes severos, o governo federal iniciou um processo de
recomposição do orçamento da Ciência e Tecnologia e das universidades federais.
Isso permite que laboratórios funcionem e que pesquisas como as de Alicia Kowaltowski
(bioquímica) sobre mitocôndrias, ou estudos agronômicos que derivam da obra de
Graziela Barroso, continuem a ter impacto global.
· Programas de Iniciação
Científica: A base da pirâmide é essencial. Programas como o PIBIC (Programa
Institucional de Bolsas de Iniciação Científica) do CNPq são a porta de entrada
para milhares de jovens cientistas, majoritariamente mulheres. É nesses programas
que se forma a próxima Elisa Frota Pessoa ou Enedina Alves Marques.
Entre o Silêncio e a
Resistência
A grande mídia corporativa, de
fato, ignora ou sub-representação essa efervescência científica, preferindo
pautas de entretenimento ou político-partidária. Ela raramente mostra os
bastidores dos laboratórios ou as trajetórias inspiradoras das pesquisadoras
por questões machistas óbvias que estruturalmente formam a sociedade em todos
os setores.
Romper com essa cultura ideológica
é urgente e permanente.
No entanto, o Estado
brasileiro, através de políticas públicas coordenadas, tem um papel duplo e
fundamental:
1. Fomentar a ciência:
Garantindo que mulheres como Jaqueline, Alicia e as futuras Nises e Berthas
tenham bolsas, infraestrutura e condições de pesquisar.
2. Promover a equidade:
Criando mecanismos (como as regras de parentalidade) para que as cientistas
possam romper o teto de vidro e chegar às posições de liderança que já ocupam
na pós-graduação.
O reconhecimento de Nísia
Trindade no prêmio da SBPC e sua posição como ministra não é um fato isolado. É
o resultado de décadas de produção científica qualificada em instituições
públicas e, agora, de um contexto político que valoriza essa trajetória e busca,
através de políticas ativas, garantir que a história das cientistas brasileiras
seja escrita com justiça e visibilidade, mesmo contra a corrente do silêncio
midiático.
A falta de reconhecimento não
é apenas o único problema enfrentado pela Mulher.
Ser solidário às Mulheres é o
mínimo que um homem pode, mas com certeza não é o suficiente e combater o
machismo, o racismo e o feminicídio e todos os preconceitos tem que ser uma
pratica de cada homem mobilizando, lutando e legislando por LEIS que tenham punição
exemplar aos criminosos assim como a regulamentação da Internet para que
comentários em chats e redes sociais também sejam punidas com o mesmo peso de
lei. E estes crimes tem que ser inafiançáveis, sem progressão de penas e penas
exemplares como prisão perpétua devem ser aprovadas no Brasil.
Itamar Santos.

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