No dia 24 de janeiro deste ano de 2009 aconteceu o encerramento das comemorações dos 25 anos de organização do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizado na fazenda Anonni, um dos marcos da luta pela terra nestas duas décadas e meia de existência.
Desde já o MST é considerado um dos maiores movimentos populares da América Latina.
A fazenda Anonni foi a primeira grande ocupação realizada pelo MST no ano de 1985 e desde o dia 20 até 24 de janeiro acolheu mais de 1.500 militantes de 23 Estados brasileiros que discutiram os rumos do movimento frente à nova conjuntura que se apresenta ao conjunto da classe trabalhadora e em especial aos camponeses em seu 13° Encontro Nacional do Movimento.
A luta pela terra é secular e porque não dizer que é uma luta conhecida desde que se têm dados remotos da existência dos seres humanos na terra e no Brasil essa Luta está posta desde que as naus de Cabral aportaram perdidas nas terras dos índios, este imenso continente hoje chamado de América Latina.
O primeiro grande roubo foi o realizado pelos portugueses que dilapidaram todas as riquezas dessas terras e dizimaram do nosso convívio milhões de vidas humanas que até os dias atuais seus descendentes lutam para seres reconhecidos como os verdadeiros povos originários desta nação.
Desde o fim da escravidão, com a Lei de Terras de 1850 já se negava aos que não tinham dinheiro o direito a terra, ou seja, o acesso a terra era e é por via da compra.
Além disso, esta lei criminaliza a posse da terra e os posseiros, na maioria, camponeses descendentes dos índios e negros ou de brancos excluídos pelo império, eram presos e obrigados a indenizar o Estado por isso.
A luta pela terra no Brasil teve o seu inicio quando o Estado brasileiro expulsa dela as pessoas que nasceram nela e dela sobrevivem, mas nunca tiveram a propriedade que os nossos invasores regraram como de direito.
Na Guerra de Contestado (1912-1916) o Estado queria dar as terras onde já havia famílias originárias na área para uma empresa de capital internacional que ia construir uma ferrovia.
Na década de 50 houve a formação de Trombas e Formoso em Goiás, que teve a articulação do PCB, contra o Governo do Estado que queria dar as terras ocupadas por povos originários para as elites locais.
Depois disso nascem no Nordeste, Zona da Mata e Agreste as chamadas Ligas Camponesas que iniciam suas lutas vinculadas a lutas locais e pontuais como os outros dois enfrentamentos, mas logos depois ampliam suas bandeiras de luta para uma luta mais coletiva, isto já no período do Governo de João Goulart (um governo declaradamente popular e só por isso foi deposto).
Neste período histórico as lutas pela terra eram pontuais e/ou individuais, as organizações se mantinham até que houvesse a solução do problema, para o bem ou para o mal, portanto não havia um pensamento coletivo.
Este pensamento coletivo foi se criando a partir da década de 1980 do século XX, passou-se a organizar primeiro para depois ocupar e resistir.
Essa organização é à base do surgimento do MST que adotou a organização como estratégia política.
A partir de então se tem no Brasil uma organização política que reivindica com o uso das ocupações de terras improdutivas, a reforma agrária.
O nascimento do MST é um instrumento político do campesinato brasileiro que tornou os camponeses cidadãos cientes de seus direitos e em processo de luta. O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra não se acaba com a conquista da terra, esta prática é grande novidade.
Mesmo aqueles que já estão assentados continuam no processo de luta para que todos tenham terra.
A idéia é de que quando existir um sem-terra todos seram sem-terra.
Estes são instrumentos de consciência política e solidariedade de classe que estão na base da força que o MST tem até hoje e outro instrumento importante é a instalação da democracia de massa ou participativa onde todos os militantes são sujeitos sociais em processo de luta; capazes decidir os seus destinos coletivamente e de falar em nome do movimento que estão criando.
O MST já revelou ao Brasil e ao mundo que uma grande parte das terras não está sendo usadas produtivamente ou estão sendo ocupadas por pessoas que não tem direito legal sobre elas.
O MST enudece a estrutura fundiária brasileira, mostrando a todos onde há terras devolutas sendo ocupadas por latifundiários e onde estão à terra improdutiva, também ocupada pelos grandes latifundiários, os reais posseiros ilegais desse país.
MSN: itamarssantos13@hotmail.com
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