A ditadura militar deflagrada em 1964, de triste lembrança, completara 45 anos no próximo dia 31 do corrente mês cumpriu um papel fundamental nas mentes das pessoas.
Com o fim do regime ditatorial ficou incutido no subconsciente popular de que para um país ser democrático basta haver eleições regulares e de fato isto vem acontecendo nos últimos 20 anos, mas o voto popular por si só não conseguiu até o momento mudar a realidade política no Brasil.
Neste período vencemos grandes batalhas sob as regras disso que nos disseram ser uma democracia.
As mais marcantes estão as duas eleições do metalúrgico Lula como Presidente da maior economia da America Latina e a derrubada de um Presidente corrupto.
Para as eleições Presidenciais já testamos o princípio da reeleição, instrumento que deixa muitas dúvidas quando a sua necessidade e legitimidade.
Neste ponto fica uma importante pergunta: Para o Brasil precisamos de uma pessoa forte ou de partido forte? Ou ainda de um povo consciente e aguerrido?
Nas eleições parlamentares as regras são praticamente inexistentes, predominando praticas do século XIX, onde a compra de votos é a regra e quando esta falha se faz valer a política do cangaço, do jagunço ou do pistoleiro encomendado que se espalha de norte a sul pelos longínquos cantões de país continente formando verdadeiros currais eleitorais.
É nesta circunstância em que o povo brasileiro participa do processo eleitoral, sem contar da imensa lavagem cerebral a qual é acometido diariamente pela grande mídia patronal que forma a opinião que mais lhe convém e de acordo com seus interesses regionais.
Um exemplo cabal desta anomalia eleitoral esta representada na figura do ex-presidente da Republica do Brasil José Sarney que recentemente se elegeu pela terceira vez, Presidente do Senado Federal.
É um absurdo, em pleno século XXI, que alguns dizem estarmos em “plena democracia”, o Congresso Nacional ser dirigido por um político que foi Presidente da Arena (Aliança Renovadora Nacional), braço político civil da ditadura militar que derrubou um Governo democraticamente eleito e com a anistia foi ser Presidente do PDS, ironicamente chamado de Partido Democrático Social.
Por um desastre do destino Sarney foi Presidente do Brasil em substituição a Tancredo Neves o qual morre subitamente antes de assumir o mandato de transição da ditadura para a democracia.
Sarney ao deixar o seu período, após ter fracassado com seus múltiplos planos econômicos, o Brasil amargava uma inflação de 86% de inflação.
Todo esse currículo não o impediu de assumir a Presidência do Senado onde gerenciara um orçamento de R$ 2,7 bilhões, alem das mordomias como carro, residência oficial e a contratação de até 38 cargos comissionados.
A essas benesses, Sarney está acostumado.
O que lhe interessa mesmo como Presidente do Senado é controlar a pauta de votação, decidir sobre o que deve ser votado, orientar as discussões na casa, resgatar projetos de seu interesse que estiverem parados, influenciar na instalação de CPI’s tanto contra seus adversários como a favor de seus aliados.
Alem de impugnar proposições de seus pares, e comandar as sessões conjuntas do Senado e da Câmara de Deputados = Congresso Nacional quando das votações de medidas provisórias e vetos presidenciais.
Este poder faz de Sarney o político mais poderoso no Brasil e de Lula o Presidente mais refém que a nação já teve.
Sim, refém de um parlamento que se reelege vitaliciamente e que detém todos estes poderes de influenciar na vida de todos nós brasileiros.
A recondução de Sarney já está surtindo efeito, pois em recente julgamento o STF cassou o Governador do Maranhão Jackson Lago (PDT) por acusação de compra de votos, pratica, alias, de Roseana Sarney que se confirmando a cassação do então Governador, assumira como Governadora. Outra demanda familiar será derrubar, através de todos os artifícios como chantagem e pressão política, as acusações que pairam sobre o seu filho Fernando Sarney.
Fernando é o principal executivo do Sistema Mirante de Comunicações, empresa filiada a Rede Globo no Maranhão, e vice presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), status que felizmente não o impediu de ser investigado pela Policia Federal por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, fraude em licitação, entre outros crimes.
O filho de Sarney teve a prisão decretada pelo Ministério Público Federal (MPF), mas entrou com habeas corpus preventivo ficou livre; fato comum entre os crimes da burguesia.
A chegada de Sarney a Presidência do Senado lhe devolve o poder para dar um “jeitinho” no processo contra seu filho e de recuperar o poder no Estado do Maranhão.
A retomada do Estado do Maranhão após a cassação do atual governador Jackson Lago, por denuncias de abuso de poder econômico. Esta acusação é negada pelo atual governador e por vários movimentos populares daquele Estado.
Mas a dinastia da família Sarney no Maranhão é secular e nos 42 anos em que governo o Estado acumulou uma série de denuncias (proporcionalmente a sua riqueza), entra as quais: o recebimento ilegal de um prédio público por uma fundação controlada por sua família no ano de 1990 e o uso de caixa dois na campanha de Roseana, em 2006, que agora será beneficiada com a cassação do atual governador.
Ou seja, alem de ser proprietário do maior conglomerado de mídia do país (filiado a rede Globo) e de estar ligada aos maiores proprietários de terras do Estado do Maranhão, Sarney retorna ao lugar de onde nunca saiu e permanece fazendo o que sempre fez: chantagem e pressão naqueles que sempre lhe mantiveram no poder esse tempo todo, o povo pobre do Maranhão e do Amapá.
Até quando suportaremos um sistema eleitoral como este que retira dos pobres para dar aos ricos?
MSN: itamarssantos13@hotmail.com
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