
Nesta sexta-feira, 21 de agosto, é dia de luto e de luta na FASE. Ato inicia às 8h no CASE POA 2
Nesta sexta-feira, 21 de agosto, a morte de nosso colega Paulo Renato completará um mês.
Até agora nenhuma providência foi tomada pelo Coronel-Presidente e sua equipe, ou seja, novos motins e novas mortes podem acontecer. E com a chuva, o frio, a possibilidade da epidemia de gripe A1, só contando com a dedicação extremada dos trabalhadores e a sorte.
Para marcar a data, os trabalhadores vão realizar um novo protesto às 8h em frente ao CASE POA 2 e às 9h, ato ecumênico em frente à FASE na avenida Padre Cacique.
As perguntas que não querem calar
Quando será o próximo seqüestro em custódia? Quando entrará outra arma jogada pelos pátios sem proteção? Quando será assassinado a tiros o próximo trabalhador? Quando será o próximo resgate em unidades? Quando serão estocados os próximos monitores? Quando sofrerão fraturas, cortes, hematomas? Quantos deles serão hospitalizados para tratamento psiquiátrico? Quantas seqüelas herdarão? Quantos ficarão incapacitados temporária ou permanentemente para o trabalho? Quando os trabalhadores da FASE receberão um salário digno que lhes permita cumprir sua carga horária normal para poder tentar ter enfim uma vida normal?
Por fim, quem sofrerá o próximo AVC?
Nestes caso, quem cuidará deles, de suas famílias, de seus compromissos? Certamente não será nem a instituição, que nunca o fez, nem o Coronel-Presidente.
Temos também que definir o que é motim. Segundo definição da língua portuguesa, diz-se de qualquer ato contra a autoridade civil ou militar, caracterizado por desobediência e revolta, com ou sem vítimas, com ou sem destruição de bens públicos. Levante, sublevação popular, revolta, tumulto. Ora, se o que ocorreu no CASE POA 2 não foi um motim foi exatamente o quê?
Outra questão...
Quem tem a competência para buscar socorro: quem está comodamente sentado em sua poltrona, deliciando-se (ou enfurecendo-se, quem sabe) com os noticiários, ou quem está no epicentro da fogueira, ou se preferir, no olho do furacão? Desde quando um chefe de equipe não tem autonomia para chamar a BM? Só se for hoje, porque o procedimento sempre foi este. Ou quem sabe, espera-se para que a ordem venha dos devidos escalões, e ao invés da Polícia de Choque, chamaremos os carros funerários.
Concluindo: Se seguirmos a lógica dos procedimentos corretos, acaso teríamos tantos tumultos em instituições organizadas, com população adequada, com atividades que preenchessem o tempo dos adolescentes que estão sob a guarda do Estado? Alguém se rebela por receber boas condições de atendimento? Não deveríamos nós ressocializar os autores de ato infracional? Ou apesar da missão a que nos propomos e pela qual recebemos, somos coagidos, pelas condições de trabalho a fornecer-lhes uma dose extra de revolta e motivos para seguir a opção iniciada? Afinal, se o lado certo das coisas tem a FASE como exemplo, o que eles podem pensar? Ou voltamos ao tempo do Código de Menores, onde o Menor era preso como punição e castigo, e não para sua recuperação?
Fonte: www.semapirs.com.br
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