
A política de Redução de Danos já é muito conhecida em países europeus que tem consciência de que o consumo de drogas é devastador se usado de qualquer forma e assim adotou essa nova maneira de enfrentar esta epidemia.
Esta forma está amparada na concepção de descriminalização dos usuários de drogas e da consequênte aproximação desta realidade para melhor conquistar a confiança desta população ao sistema de saúde e assim poder tratá-los.
Em outubro de 2008 o Ministério da Saúde produziu 10 mil unidades de uma cartilha com orientações de como há contaminação ao ser usado os objetos como seringas, canudos ou cachimbos de forma compartilhada pelos usuários de drogas, para distribuição entre os profissionais que trabalham direto com essa população.
Na Holanda, onde as drogas são liberadas há locais (Postos de saúde) públicos que fornecem todo o material descartável para o uso de drogas, procedimento que recupera inúmeros viciados para uma vida saudável e com dignidade.
Esta cartilha faz parte de uma estratégia de saúde pública que visa a reduzir os danos provocados pelo uso de drogas a partir de uma visão de não-criminalização do usuário.
Um dos princípios é lutar pelos direitos dos usuários de drogas, reduzindo danos a saúde física e mental, sejam eles biológicos, sociais, econômicos ou culturais.
No caso de drogas injetáveis, uma das medidas mais comuns e antigas é a distribuição de seringas descartáveis para evitar o contágio de novas pessoas pelo vírus HIV e com os vírus das hepatites.
Por dentro desta estratégia passa também a educação de profissionais ampliando o debate sobre o tema no sentido da prevenção incentivando os programas públicos de saúde para o tratamento e a recuperação dos dependentes químicos.
Como toda novidade que afeta o senso comuns da dita sociedade legal há nesta tendência aqueles que militam a defesa da flexibilização das leis proibitivas e de apoio a legalização das drogas, pois levam em consideração a liberdade de escolha das pessoas e a liberdade do uso destas de seus próprios corpos.
Sendo assim sempre encontramos os arautos dos bons costumes para criticar a totalidade dessa inovadora política, só que quando figurões com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ou Deputado Federal Fernando Gabeira defendem abertamente a liberação da maconha estes cidadãos da hipocrisia legalizada calam-se.
Entendo que a política ora instituída pelo MS está na vanguarda das políticas preventivas em saúde pública e deve ser encarada como mais uma ferramenta frente ao avanço galopante das drogas junto à juventude brasileira.
A prevenção somada às políticas de repressão ao trafico de drogas, de armas e ao combate aos jogos de azar que fazem parte de um sistema criminoso poderoso de difícil concorrência perante aos serviços e aos programas públicos deverão proporcionar a diminuição dos índices entre aqueles que estão doentes pelo vicio de drogas potentes como o Crack e tantas outras.
Prevenção, tratamento compulsório do doente das drogas e o combate eficaz e permanente ao trafico internacional de drogas são fundamentais nesta guerra contra esta doença que ataca indiscriminadamente qualquer pessoa, independente de raça ou classe social.
A política de Redução de Danos não deve ficar reduzida a esta simples discusão de distribuição de seringas descartáveis junto aos drogaditos, pois o seu compromisso esta na recuperação destes doentes e não na apologia ao uso de drogas.
MNS: itamarssantos@hotmail.com
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