Um Obama brasileiro
* Carlos Chagas
Está aparecendo um Obama brasileiro, de origem social mais humilde que o presidente americano, igualmente senador e tão preocupado quanto ele diante da pobreza e do desemprego. Negro, também.
É o senador Paulo Paim, do PT gaúcho. Vem de longe sua luta em favor dos aposentados, dos idosos, dos humilhados e ofendidos. Não se inclui na confraria do presidente Lula, apesar de haverem morado juntos nos tempos de deputados-constituintes. Dividiam um apartamento em Brasília, junto com Tarso Genro. Faz tempo que Paim deixou de ser incluído na comitiva presidencial, quando das visitas ao Rio Grande do Sul. Jantar no palácio da Alvorada, ainda não jantou. Tudo por haver-se tornado um crítico permanente da política econômica neoliberal, uma espécie de ferrinho de dentista posto diante do PT.
O desemprego em massa que começou a assolar o país tornou-se a preocupação maior do senador Paim. Todos os dias, da tribuna do Senado, ele atualiza os números e cobra providências efetivas do governo dos trabalhadores. No recente recesso parlamentar, percorreu diversos estados, reunindo-se com sindicalistas, aposentados e, em especial, jovens, nas universidades. Para ele, os assalariados são as maiores vítimas da crise, junto com as pequenas e médias empresas. Se o governo ajuda as grandes empresas, aquelas que mais demitem, por que não impõe a condição de evitar demissões?
Paim se candidato à Presidência da República, seria a segunda tentativa de mudanças fundamentais em nossas estruturas, agora em meio à crise. Representaria uma segunda onda depois de a primeira, com todo o respeito, muitas vezes parecer uma marolinha, em termos de justiça social. A expectativa é de que não venha a bandear-se para o outro lado, o lado dos bancos.
Sonho impossível, hipótese irreal, tendo em vista que a popularidade do Lula levou o PT a consagrar desde já Dilma Rousseff? Pode ser que não, caso os companheiros decidam realizar prévias junto às suas bases. Deve a decisão imperial de o presidente considerar-se definitiva? Talvez. Mas o senador tem diante dele um espaço que a chefe da Casa Civil não ocupou e dificilmente ocupará: tornar-se o candidato dos sem-nome, dos que vem sendo demitidos aos montes. Em suas palavras, o desemprego está destruindo famílias, multiplicando a violência no campo e nas cidades, fazendo aumentar a criminalidade. Sem alarmismo, é preciso enfrentar a nova questão que se coloca. Vamos aguardar.
Para continuar no tema, é bom prestar atenção num grupo que, no PT, longe de insurgir-se contra o presidente Lula, imagina poder abrir alternativas. De Paulo Paim à senadora Marina Silva e ao senador Eduardo Suplicy, começam a assustar. São olhados de soslaio e pejorativamente chamados de "exército brancaleone", referência a um dos maiores filmes do século passado. Mas podem pegar, na medida em que opõem o diálogo junto às bases diante das imponentes visitas e inaugurações do presidente Lula, com Dona Dilma a tiracolo. Defendem, na hora apropriada, uma escolha democrática da candidatura do PT. De baixo para cima.
Corre no Congresso que os tribunais superiores concederão a seus ministros um reajuste de 13,50%. O salário mínimo foi reajustado em 11% e os aposentados, em 5,9%. A ser verdadeira a informação, salta aos olhos a evidência da prática de dois pesos e duas medidas em vigência no país. Não que os ministros dos tribunais superiores sejam marajás. Recebem até menos do que merecem. O problema é a dicotomia. Ou não serão os brasileiros todos iguais em direitos?
Os tucanos resolveram estrilar diante da óbvia abertura da campanha sucessória pelo presidente Lula, viajando, inaugurando, fiscalizando e aparecendo com Dilma Rousseff a tiracolo. Age com cuidado, o chefe do governo, para não ferir a legislação eleitoral, mas deixa claro estar empenhado na exposição da candidata.
O que deveria fazer a oposição? Utilizar as mesmas armas, como sugeriu o ex-presidente Fernando Henrique. Levar José Serra às mesmas práticas, e não apenas nos limites de São Paulo, onde suas prerrogativas são iguais às do Lula, proporcionalmente. Adianta muito pouco o PSDB ficar protestando e denunciando a exposição explícita da candidata do PT. Serra tem o direito de fazer o mesmo, assim como Aécio Neves.
*Artigo veiculado em vários jornais.
Com as devidas cautelas quanto à posição ideológica do jornalista; a crônica acima e a candidatura do camarada companheiro e Senador Paulo Paim abre um debate importante ao PT e para toda a população pobre do Brasil que é: Qual é o governo e governante que queremos?
Para quem este governo e governante tem que cuidar? Daqueles que sempre ganharam ou dos trabalhadores que se acha de classe média, mas que não ultrapassam o nível de assalariados quando estão empregados e é claro daqueles que nunca estiveram incluídos nestas categorias?
O povo deve exercer esta função que a democracia nos propicia, chega de sermos serviçais daqueles que controlam o capital porque sem o trabalho que nós dispomos o capital deles não servirá para nada.
O ano de 2010 promete ser muito importante para a classe trabalhadora como esta sendo a primeira década deste século XXI para os povos latinos americanos que estão revolucionando os seus países. Agora chegou a nossa hora de transformar o Brasil ou não temos a garra castelhana necessária para isso?
MSN: itamassantos13@hotmail.com
Publicado no www.melhordetodos.com.br em 27/02/09
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