A organização da Classe Operária ocorreu desde os primórdios da industrialização, através do confronto direto com as formas de produção capitalista - representada pela fábrica - ou com as instituições criadas pelo modo de produção capitalista para dar vida às relações de produção - o Estado, a polícia, as leis, etc.
Neste momento, a Classe Operária lutou para alterar as péssimas condições de sua existência. Mas as Lutas Operárias surgiram sem que houvesse uma orientação ideológica para tal. Pertencem a esta fase a luta pelo direito de organização sindical, pelo direito de voto (o “Cartismo” inglês), o início dos conflitos pela redução da jornada de trabalho, melhorias salariais, entre outros.
Na segunda metade do século XIX, o desenvolvimento generalizado e vigoroso do Capitalismo em escala planetária gerou uma ampliação e transformação qualitativa das Lutas Operárias. Vários países passam a ter fortes Classes Operárias no seu interior, quebrando a quase exclusividade inglesa na ocorrência de agudos conflitos trabalhistas.
Além disso, nota-se que a presença da Classe Operária produziu a necessidade por parte do próprio Capitalismo em administrar este novo segmento social no interior da vida política e institucional das nações. Em muitos países esta situação desembocou na institucionalização de partidos políticos da classe operária. Tais agremiações foram lentamente obtendo o direito de voto e de elegibilidade dos operários ou de seus representantes.
É neste momento que ocorre a aproximação mais íntima do Socialismo, enquanto projeto social, e o Movimento Operário, enquanto agente deste processo. Mas, como veremos abaixo, a História do Socialismo no século XIX vivenciou também uma transformação profunda desta orientação: da busca do Socialismo por meios revolucionários para a convivência com o Capitalismo e a espera que condições mais propícias operassem a transição pacífica para o Socialismo.
Até o surgimento dos partidos políticos operários, o Socialismo foi tido pela Classe Operária como um projeto de revolução, tal como a Revolução Francesa, que eliminou definitivamente a predominância do Feudalismo, a Revolução Socialista era a perspectiva da maior parte do Movimento Operário militante para a destruição do Capitalismo. Mas as Revoluções de 1848 não obtiveram o intento de derrubar o Capitalismo.
Por essa razão tornou-se viável a institucionalização do Socialismo enquanto uma forma de expressão da representação política da Classe Operária dentro dos marcos da sociedade capitalista.
A maior expressão desta situação ocorreu na Alemanha. Neste país, o Partido Social Democrata tornou-se um grande partido político operário inspirado no Socialismo, mas, contraditoriamente, atuando exclusivamente dentro dos marcos da vida política do Capitalismo. O ambiente intelectual de desenvolvimento das idéias socialistas sob a influência da "social-democracia européia" (expressão que reflete a predominância do Partido Social Democrata Alemão no interior da 2ª Internacional) foi fortemente impactado pela capacidade do Movimento Operário alemão de conquistar de forma legal e não violenta os meios materiais que propiciaram melhorias das condições de vida e trabalho da Classe Operária dentro do Capitalismo.
Grande parte dos militantes social-democratas avaliou que a temática da Revolução Operária não era mais necessária. Foi criada no interior do Movimento Operário uma tendência que defendeu uma transição pacífica e legalista em direção ao Socialismo. Tais aspirações baseavam-se no contínuo avanço eleitoral do Partido Social Democrata Alemão, que era tomado como modelo final para todo o restante do Movimento Operário.
Calcado no intenso desenvolvimento das forças produtivas no interior da Alemanha, bem como da necessidade de regulação dos fatores produtivos face à competitividade que a economia alemã começava a enfrentar no mercado capitalista mundial, o Estado alemão incorporou o partido político da Classe Operária ao conjunto instituições que administravam o Capitalismo naquele país. Vale lembrar que o crescimento do papel econômico e político da Alemanha no contexto internacional exigiam uma paz social interna que propiciasse condições para a ocorrência do investimento capitalista.
Esta situação não foi, porém, considerada por amplas camadas da social-democracia. Estas pugnavam por uma posição de cooperação com a burguesia e o Estado alemão e alimentavam a esperança de que as contínuas vitórias eleitorais do Movimento Operário alemão desaguassem automaticamente no Socialismo. Este seria, nas palavras do seu principal teórico, Eduard Bernstein, o "Socialismo Evolucionário".
O "reformismo" ou "revisionismo", tal como ficou conhecida esta corrente, foi uma das principais interpretações teóricas e práticas do Socialismo após o advento do Marxismo. Suas intenções eram, inclusive, a de negação das premissas básicas do Marxismo, tal como a existência da Luta de Classes.
A influência desta visão de Social-democracia foi expressiva. Até a eclosão da 1ª Guerra Mundial a predominância dos social-democratas nos países de Capitalismo mais avançado induziu, não sem muitos atritos com outras correntes socialistas (como os Anarco-sindicalistas e Marxistas), a uma política de "colaboração de classes". Isto levou até mesmo o apoio destes partidos aos governantes que declararam a guerra.
Esta situação causou a maior divisão já vivida pela esquerda européia, uma vez que um dos marcos da organização da Classe Operária era a solidariedade da classe oprimida para além das fronteiras nacionais. A guerra de 1914 a 1918 significou um imenso revés nesta perspectiva devido às matanças realizadas pelos exércitos nacionais, compostos em sua maioria por operários mobilizados. Assim, o Nacionalismo venceu o Socialismo.
Somente a eclosão da Revolução Russa, em 1917, recriou as expectativas de solidariedade entre as classes oprimidas contra os opressores. De qualquer forma, a divisão entre as duas perspectivas foi definitiva e vivida intensamente em todo o século XX.
Após a 2ª Guerra Mundial, com a eclosão da Guerra Fria, a Social-democracia ascendeu a uma posição ainda mais expressiva no interior dos países capitalistas, pois ela "atraiu" para a sua órbita as políticas sociais implementadas pelos Estados capitalistas que ficaram conhecidas com o nome de welfare-state (estado de bem estar).
A marca mais característica desta situação é o que ficou conhecido como Eurocomunismo. Nele, uma perspectiva crítica do Socialismo praticado no leste europeu, enfatizando a falta de Democracia, fortaleceu e sedimentou a concepção evolucionista e legalista de atuação do partido político da Classe Operária no interior da sociedade capitalista.
Atualmente, podemos constatar que a Social-democracia européia abdicou ainda mais das proposições socialistas ao incorporar ao seu programa partidário as diversas conquistas que as forças voltadas para a reconstituição do mercado (e, portanto, contrárias às conquistas sociais obtidas pelo Movimento Operário) lograram obter desde os anos 80. A partir da Inglaterra, base das reformas neoliberais, onde foi formulada a denominação oficial desta situação, a 3ª Via consolida um movimento secular de aproximação das idéias socialistas dos partidos políticos voltados para a representação da Classe Operária com as instituições capitalistas.
Esta situação não é privilégio europeu, pois no Brasil os detentores do poder fazem questão de patrocinar esse tipo de política através da grande imprensa introduzindo nas mentes populares que tudo e todos são iguais e pertencentes a uma grande geléia ideológica. Fato este que cabe a sociedade em geral, manifestar-se contrariamente através dos processos eleitorais e de sua auto-organização em forma de mobilização em defesa da cidadania como um direito de todos e para todos.
veritasantos@brturbo.com.br
Viamão 04 de Março de 2007.
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Um comentário:
MUito bom, mesmo.
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