sábado, 4 de julho de 2015

A Pobreza e as Crianças....




            Segundo o estreito pensar dos Meritocratas esta Criança da foto acima já nasceu CULPADA !!
            Os promotores da Pobreza imputam aos pobres a culpa de existirem muitas pessoas pobres e estes deveriam ter sido eliminados ainda no ventre para não constranger a indiferença dos que não suportam conviver com a diferença....

            Nos dias atuais, tal situação foi agravada, pois a atual geração destes excluídos passa fome, sendo que este estado famélico já vem de três ou mais gerações, ou seja, são filhos, netos e bisnetos gerados a partir de organismos subnutridos e criados em permanente estado de desnutrição, cujos reflexos são observados na baixa estatura, na limitada capacidade intelectual, na baixa imunidade orgânica contra simples doenças, na ausência quase que total da autoestima e com um nível de compreensão que pouco passa do entendimento básico de necessidades de sobrevivência, como se alimentar, se vestir e buscar abrigo, vinculando sua existência a um mercado de consumo, no máximo.

            Muitos destes “herdeiros da miséria” repetem, de certa forma e de maneira incessante, a mesma rotina de nossos ancestrais do período paleolítico. São nômades modernos que, frequentemente, migram de um bolsão de miséria a outro e vivem da coleta de subsistência – no caso atual, da coleta de lixo que, talvez, garanta a próxima refeição. Como nos ensina Martins, ( MARTINS, Ives Gandra. Comentários à Constituição do Brasil (promulgada em 1988) - 8º vol. São Paulo: Saraiva, p. 1.041.)

            Modern Nômades e lixívios, vivem dos restos da modernidade, conscientes de que serão sempre excluídos, saciam sua fome graças a comida que encontram no lixo dos sedentários da modernidade e graças à venda dos resíduos que estes jogam fora.

            Estes extremos, a cultura da riqueza e os subgrupos da pobreza, são forçados a desempenhar seus papéis no mesmo cenário, produzindo violentos entrechoques mentais que se repetem a cada momento, particularmente nas grandes metrópoles.

            Numa sociedade tão desigual, tais desníveis acabam por formar um pano de fundo indutor de desvios de comportamento, incluindo-se aqui a criminalidade e confirmando a máxima de que “a ocasião faz o ladrão”.

            Ao comparar os jovens da atualidade com o homem primitivo, surge outra questão. Como afirmado anteriormente, repetem rotinas no que tange à migração e coleta de lixo, porém, com outro gravame: muitos desaprenderam ou perderam a capacidade de caçar, pescar e até de plantar.

            Assim, as demais formas primitivas não fazem parte do cenário desta selva de concreto, onde os alimentos surgem somente nas prateleiras dos supermercados e o leite, por exemplo, apenas aparece em sacos ou caixas, tantas vezes inacessíveis ante a falta de recursos.

            Todas essa miséria pessoal é impostas por uma sociedade que não permite igualdades entre seus sócios lhes incutindo de várias formas conceitos prontos do tipo “sua pobreza é porque você não tem capacidade de saciar tua fome”, mas nunca lhe disse como se faz tal tarefa ou nunca lhes deram alguma tarefa para fazer.

            É este o nível ou o desnível de IGUALDADE inexistente nesta tal sociedade onde seus sócios não tem o mesmo direito, a mesma IGUALDADE de oportunidades.

            Toda esta pobreza tende a produzir cada vez mais miséria obviamente porque nascem mais crianças pobres que cada vez mais engrossam as filas dos programas sociais.

            Essa tal sociedade tem que se dar conta de produzir mais oportunidades para cada vez mais pessoas sob pena de num futuro muito próximo entrarmos em colapso onde os miseráveis serão tantos que os Meritocráticos não terão onde se esconder e a anarquia social se instalará, e ai não temos como prever as consequências.

itamarssantos13@yahoo.com.br 

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