quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Só pra iniciar o debate....


               Segundo o médico pediatra Marun David Cury, diretor de defesa profissional da Associação Paulista de Medicina (APM), "pagar R$ 10 mil para um médico trabalhar 40 horas é UM ABSURDO", disse ele, referindo-se ao valor de bolsa previsto pelo "Mais Médicos" para atrair profissionais recém-formados ao interior do Brasil e para regiões de periferia.

               Convém informar a esse distinto defensor da classe médica que no país de recursos públicos escassos no qual ele vive, as universidades estaduais do estado mais rico da federação pagam hoje R$ 8.715,12 para os PROFESSORES DOUTORES que ingressam nas instituições EM REGIME DE DEDICAÇÃO INTEGRAL à docência e à pesquisa (40 horas semanais).

               Nas universidades federais, docentes nas mesmas condições recebem R$ 7.627,02 e ingressam na carreira como professor Adjunto 1.

               Todos esses verdadeiros DOUTORES têm, certamente, mais anos de dedicação aos estudos e à profissão do que os "doutores" recém-formados na nobre profissão da Medicina. E trabalham recebendo esses salários modestos, muitos deles ajudando na formação dos futuros médicos, que estudam gratuitamente nas melhores universidades públicas do País.

               Assim como este médico há vários e suas entidades de classe que defendem com unhas e dentes suas posições para perpetuarem um poder onipotente, classista e mesquinho chegando ao absurdo de se desresponsabilizar com o cumprimento da carga horaria contratada.

               Sou um defensor contumaz da dignidade salarial e sei que o valor do trabalho no Brasil é degradante advindo de um sistema que privilegia o lucro do dono do capital, mas sei também que estamos em meio a um processo altamente disputado onde de um lado esta um governo progressista forjado na luta popular e revolucionária da década de 60, que não se perdeu nos anos 80 e lutou contra os herdeiros de uma classe patronal capitalista com seus aliados poderosíssimos da mídia golpista que tudo faz para desmoralizar a sua Governanta.

               As propostas apresentadas pela Presidenta Dilma dão conta de mostrar ao povo a necessidade de termos no Brasil uma politica de saúde publica que seja responsável pela necessidade dos usuários desta rede de saúde e para isso o papel desempenhado pelo médico é tão importante como de qualquer profissional da equipe.

               Não podemos aceitar que um médico atenda 20 ou 30 pessoas em uma hora e vá embora e receba como estivesse trabalhado por quatro horas por dia de trabalho. 

Exigimos que os médicos façam parte desta equipe como um importante componente, que permaneça o tempo integral, integralizado ao atendimento humanizado de cada paciente sem preocupação com o tempo, salario ou outro protocolo qualquer a não ser o protocolo da necessidade clinica-social de seu “paciente”.

               É oportuno também que este debate se estabeleça a partir da remuneração medica que se estendera para toda a categoria de trabalhadores da saúde publica por imposição do chamado efeito cascata.

               Por analogia será ampliado aos professores como bem lembra a matéria que inicia este singelo escrito e dai por diante teremos um grande debate nacional sobre quanto vale o trabalho nosso de cada dia.

               Mas retornando ao tema da saúde, este debate devera ser ampliado para as condições de trabalho de cada unidade de saúde em todos os seus níveis de complexidade, suas estruturas físicas e técnicas e as condições oferecidas aos pacientes iniciando pela chegada ao serviço de saúde.

               Quando nos encontramos doentes pensamos em ser atendido imediatamente para ficarmos bem e nos ver livres daquele problema, mas atualmente não basta estar doente, temos que estar muito doente para ser protocolado como vermelho para ser atendido em uma ou duas horas, em media.

               O principio da humanização preconiza mais do que isso e podemos chegar a um acolhimento de fato que leve em conta a agilidade no atendimento e a necessidade do usuário, onde para ser conferido os sinais vitais não seja mais necessário esperar uma hora para receber uma tarja azul que lhe pune com mais quatro horas de espera mesmo que não tenha ninguém mais necessitado do que você em sua frente.

               Esta transformação deve iniciar pela acolhida dos usuários nos serviços de saúde, acabando de vez com as filas e seu comercio paralelo.




              

               

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