sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

O Fórum Social das Resistências e as Esquerdas

  Dezesseis anos depois o Fórum Social Mundial retorna a Porto Alegre.
Retorna em uma conjuntura geometricamente oposta àquela de 2001, principalmente na questão política onde a democracia brasileira iniciava a respirar ares da efetiva participação popular e o OP era o tubo de oxigênio que abastecia esses novos ares. E Porto Alegre era símbolo Mundial dessa verdadeira Revolução Democrática.
            Mas a Lua de Mel com a burguesia acabou e com ela tudo aquilo que foi adquirido em termos de direitos sociais.
            Nesse janeiro de 2017 é percebível que o público frequentador do FSM das Resistências teve a mesma proporcionalidade inversamente proporcional daquele janeiro de 2001 onde os militantes de hoje são muito menor, em quantidade, porque os de antes ou se desiludiram rapidamente ou surfaram na boa onda e agora largaram a prancha do social. Que isso também nos sirva de lição na hora de consolidarmos alianças.
A minha geração apostou na institucionalidade e nesta na conciliação de classe, onde os governos de coalizão dariam conta da democracia. Mesmo sendo contra essa tese internamente, foi essa a estratégia até agora adotada. Portanto esse ciclo está vencido e comprovado que a Burguesia não quer mais dividir os governos com a esquerda e muito menos com o povo. As novas gerações devem reconhecer esses erros políticos para não repeti-los sabendo que historicamente não há essa possibilidade de convivência e que há somente duas classes sociais em disputa. A classe RICA, 1 % da população mundial e o restante, a classe pobre que é explorada pela força das armas e como aqui pela força do capital.
A solução passa pela radicalização da luta de classes, a afirmação das diferenças e a classe trabalhadora consciente de sua luta. A história do mundo sempre teve o conflito de classes como sua mola propulsora. Hoje sabemos que a coalizão durou enquanto era interessante para a burguesia. Marx nunca esteve tão atual! E com o fim da aposentadoria e supressão de direitos querem nos massacrar para que paguemos com a mais valia uma por crise forjada por eles (burgueses) com o intuito de amparar o golpe.
Essa história deve ser contada nos bancos escolares e para isso temos que criar métodos que nos possibilite fazer essa formação. As novas gerações tem que crescer sabendo a sua origem e que possíveis avanços sociais não vem do "espirito santo".
As gerações que fizeram o FSM de 2001 e as anteriores devem realizar sua auto crítica (eu me incluo, mesmo tendo perdido a disputa estratégica adotada até aqui.) e tornar a realizar a Militância que tenha como objetivo principal a Formação da Consciência Popular enquanto Classe a partir das escolas, das fabricas, e do campo através de suas entidades sindicais.
Nessa tarefa as Centrais Sindicais são as ferramentas ainda em condições de financiar esse processo, mas para que isso seja viabilizado será necessário acabar como individualismo, com o hegemonismo e com o estrelismo que alimentam os egos de muitos.
A tão propalada UNIDADE tem que ser construída a partir da construção de uma AMPLA FRENTE SINDICAL E POPULAR que tenha em comum um Plano de Sociedade que privilegie a Democracia, a Defesa da Nação Brasileira como Pátria, da América Latina como continente e da solidariedade dos povos como objetivo da construção humanitária de uma nova sociedade mundial.
Esse exercício não é novo, pois foi abandonado quando exercitamos outra forma de governo que provou estar esgotada, portanto sabedores desses erros devemos ter a clareza de podemos estar na Institucionalidade, mas fundamentalmente devemos estar na base social permanentemente porque foi o nosso distanciamento o maior dos erros cometidos.
Os ataques já aprovados no Legislativo Corrupto dão o sinal do futuro onde o povo não terá mais seus direitos sociais minimamente garantidos e que para construirmos uma Nova Sociedade passa pela nossa UNIDADE COMO CLASSE.