segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Rolezinho, um produto brasileiro...


Em 1847, Karl Marx escreve em “Na miséria da filosofia” : “Chegou, enfim, um tempo em que tudo o que os homens haviam considerado inalienável se tornou objeto de troca, de tráfico e podia vender-se. O tempo em que as próprias coisas que até então eram co-participadas mas jamais trocadas; dadas, mas jamais vendidas; adquiridas mas jamais compradas (virtude, amor, opinião, ciência, consciência etc) em que tudo passou para o comércio. O tempo da corrupção geral, da venalidade universal ou, para falar em termos de economia política, o tempo em que qualquer coisa, moral ou física, uma vez tornada valor venal é levada ao mercado para receber um preço, no seu mais justo valor”.

Se quiser posso dizer que Marx é um profeta, pois pode significar a pessoa que é capaz de predizer acontecimentos futuros , sendo que já se passarão 167 anos da publicação de tal literatura.

Mas o que tem haver o prenuncio de Karl Marx com o rolezinho? Me questionaram aqueles que nunca leram algo sobre a teoria econômica deste pensador secular, mas atualíssimo.

Me socorro em Marx para demonstrar que a humanidade evolui de acordo com o meio em que vive e o conceito de “homem inalienável” jamais vigorara em uma sociedade capitalista, porque infelizmente tudo no capitalismo esta a compra e para não se vender o próprio caráter, são poucos os que não o fazem na atualidade.

Os Rolezinhos, uma febre nacional que movimenta a internet, nestes tempos de alta tecnologia, é uma consequência deste mesmo sistema que causa tudo o que é bom e os seus males e que não consegue tratá-las.

No Brasil vivemos nos últimos 12 anos sob o “comando” de um governo Popular e democrático, contra hegemônico aos governos da América do Norte e da maioria da Europa, que tem uma clara opções pelos pobres e miseráveis deste país.

Neste período, quer queiram ou não, os Governos do PT capitaneados por LULA e DILMA transformou a distribuição direta e indireta da renda aos brasileiros.

Esta distribuição de renda se dá de varias formas, diretamente via a conquista de mais vagas de trabalho, aumento acima da inflação ao valor do salario minimo nacional e dos salários regionais ou indiretamente via auxílios governamentais distribuídos diretamente as famílias mais necessitadas (vide Bolsa Família).

A conquista desta estabilidade econômica, mesmo sem alteração radical no sistema, que permanece sendo capitalista, portanto antagônico ao que Marx pregava, proporciona um enorme avanço nas relações econômicas na sociedade brasileira.

Assim aquilo que em 1999 era um bem inatingível pela grande massa consumidora brasileira, hoje não é mais e isso assusta a mesma minoria que naquela época dizia que sairia do Brasil caso o LULA fosse Presidente da Republica. Pois LULA foi e elegeu a sua sucessora e esta mesma minoria esta ai tentando sabotar a cada dia os avanços inegáveis deste governo.

O rolezinho não nenhuma revolução socialista ou comunista, mas é uma consequência boa de um governo que cria as condições de inclusão de uma enorme parcela da população que antes estava alijada de consumir e hoje quer mais do que somente consumir.

Uma parcela destes guris e destas gurias que combinam o role nos shoppings são a consequência da nova condição econômica garantida pelo governo brasileiro e são também a consequência do sistema capitalista que lhes impõe o consumo pelo consumo, a fama pela fama, ou seja, estamos“no tempo em que qualquer coisa, moral ou física, uma vez tornada valor venal é levada ao mercado para receber um preço”....disse Karl Marx.