sábado, 6 de abril de 2013

"Se essa rua fosse minha..."

Album Prisioneiros da Liberdade (https://www.facebook.com/photo.php?fbid=298675790160554&set=a.298203350207798.89960.100000544071159&type=3&theater)


            A rua pode ser encarada como se estiver ao ar livre ou como sendo o nosso endereço, nosso CEP que nos proporciona “ser”, ter origem, ou seja, ser um cidadão.

            A conquista da cidadania é uma luta social constante tendo em vista que há uma disputa injusta entre os membros desta mesma sociedade que oprime o outro para assim ter mais poder e mais riquezas.

            Nesta disputa presenciamos diariamente como vimos recentemente nos noticiários a aprovação pelo Senado brasileiro da lei que garante as Empregadas (os) Domésticas (os) os mesmos direitos dos trabalhadores da iniciativa privada após longos 2013 anos.

Período pelo qual esta mesma sociedade permaneceu calada frente a essa brutal exploração.

             Para mediar essa disputa animalesca ao longo do tempo se convencionou socialmente em ter um ente que se encarregaria de realizar esta tarefa. 

Ente esse chamado governo que depois de varias experiências podemos entender que são os governantes populares ou progressistas que são capazes de se deter nas questões sociais garantidoras de direitos coletivos.

            Atualmente vivenciamos um período importante onde o Governo atual e a sua Governanta promovem ações que atendam as necessidades coletivas daqueles que estão desprovidos de seus direitos elementares como a saúde, por exemplo.

            A saúde no Brasil através do SUS atua com o objetivo central de garantir estes direitos a todas as pessoas independentes de sua condição social e mesmo assim sofre uma grande oposição silenciosa de quem busca ganhar muito dinheiro sem se preocuparem com as reais necessidades da coletividade.

            O SUS a fim de enfrentar o preconceito que infelizmente existe na sociedade garante cada vez mais vias de acesso a seus serviços e neste sentido disponibiliza em varias cidades o Consultório na Rua.

            O Consultório na Rua vem para inverter a logica habitual de acesso dos usuários aos serviços públicos, atuando diretamente nos territórios onde se localiza a população em situação de rua realizando a sua abordagem e trabalhando a partir das suas necessidades em saúde respeitando o querer individual (a sua vontade).

            A definição da População em Situação de Rua como público alvo de mais este serviço tem haver por se constituir em um setor-produto da sociedade que descarta tudo aquilo que defina como inútil e estas pessoas tem em comum a garantia de sua sobrevivência por meio das atividades produtivas desenvolvidas nas Ruas, tenham os seus vínculos familiares fragilizados ou interrompidos e não tenham referência de moradia regular (sem teto, morador de rua).

            Não há “motivos” definidos cientificamente para que uma pessoa vá para uma situação de rua, mas geralmente esta vinculada ao uso abusivo de drogas e entre a farta oferta de entorpecentes, a vilã desta situação está no álcool, à cachaça.

            O que leva um homem sexagenário a deixar o conforto da casa de seus filhos e ficar na rua?
            Este mesmo homem bebe direto e assim deixa de se alimentar, atitude que pode lhe causar a morte. 

Este é um exemplo de centenas de casos existentes que me faz questionar “os motivos” necessários para que seres humanos façam esta “escolha” em nome de um prazer ou de uma liberdade carcerante.

            Esta “escolha” é produto da liberdade individual, de causas clinicas ou como consequência de ambas. E frente a esta realidade encontrasse familiares inertes na impossibilidade de “salvar” o seu pai ou irmão de uma morte anunciada que não é impedida em nome da “liberdade individual”.

            Mesmo nesta contradição o Consultório na Rua atua na produção de ações em saúde coletivas voltadas a população em situação de rua em diferentes locais da cidade, tendo como diretriz de trabalho, a Redução de Danos a partir da vontade dos usuários.

            A atuação destas equipes multiprofissionais garante a esse conjunto populacional marginalizado pelo preconceito social existente o acesso aos direitos humanos a eles negados garantindo-lhes cidadania e assim a possibilidade de acesso aos serviços de saúde, educação e assistência social.

Itamar Santos
Redutor de Danos
Consultório na Rua-Viamão-RS